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Negros de Verdade
Negros de Verdade
Negros de Verdade
por Demétrius Melo de Souza
Meu depoimento
Termos de uso
Texto em pdf para download
Ficha Técnica da Primeira Montagem, Sonoplastia e Filmagem
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“Negros de Verdade” foi uma provocação que me fizeram para colocar em palco, para uma leitura, o poema de Castro Alves: “Navio Negreiro”. O texto, apesar de ser uma obra-prima, era pequeno demais para o que se pretendia fazer, sem contar que é bastante difícil de ser compreendido por uma platéia leiga, mesmo com bons atores em cena. Além disso, o tema principal, que é o tráfico negreiro, não faz mais parte do nosso cotidiano, o que dificultaria uma abordagem não acadêmica do mesmo. Por isso, decidi escrever outro texto, mas já num contexto mais amplo da escravidão, dividindo-a em “escravidão negra” e “escravidão branca”. Utilizando-me das idéias que nos remetem as noções de “negro” e “branco”, dei ênfase a algumas associações mais ou menos consensuais para a nossa civilização ocidental. Por exemplo: A escuridão é negra. Nós a sentimos quando fechamos os olhos. Quando fechamos os olhos, deparamo-nos também com a solidão, que seria também negra, como a própria escuridão. Também de olhos fechados, remetem-nos as idéias de medo, angústia e tensão, que seriam, da mesma forma, sensações negras. Ora, então, negras continuariam sendo as coisas ruins? Não, exatamente... Negras seriam algumas das coisas (sentimentos, sensações, atitudes, decisões) que nos parecem ruins. Como diz o texto, “negra é a vida como a sentimos”. E branco, o que seria?
Não. Vamos bem mais além disso. Ocorre que boa parte das coisas que chamamos de ruins são imprescindíveis para que aqueles “ideais brancos” se tornem realidade. Nós temos o hábito de repudiar a solidão, de fugir dos nossos medos e de tudo que soa para nós muito diferente ou “anormal”. Mas este reencontro com a solidão e com todas as mudanças que devemos implementar dentro de nós para levarmos adiante nossos ideais; este reencontro com a parte negra, escondida na escuridão dos nossos pudores e hesitações; este reencontro é justamente o que faz com que nós sejamos realmente nós mesmos. É este reencontro que nos aproximará cotidianamente dos nossos objetivos e ideais mais elementares, e fará com que de fato acabemos por constituir uma sociedade minimamente justa para todos. Ou seja, ao encontrarmos forças para enfrentarmos todos os “demônios” que nos impedem de tomar as decisões óbvias, no tempo correto, estamos mergulhando neste mar onde passamos anos atirando atitudes e decisões que não tivemos coragem de tomar. Se sairmos de lá vivos, sairemos NEGROS DE VERDADE. Estaremos livres, definitivamente, da escravidão imposta por aqueles demônios (brancos?) que moram dentro de nós (lembra?), dos quais falei no parágrafo anterior. Estaremos livres do que chamamos, portanto, de “escravidão branca”, que é a escravidão do pensamento e do espírito. Não fazemos porque temos medo de perdermos o emprego (algumas vezes até a vida, mesmo), ou temos medo de não podermos trocar de carro, ou de perdermos a casa na praia ou a viagem no fim do ano. Não fazemos porque não conseguimos trocar o canal da televisão, não conseguimos desligá-la, não conseguimos passar um e-mail, escrever uma carta, juntar os amigos e fazer um protesto único. Isso dá trabalho demais, incomoda e pode não dar em nada, não é mesmo? Não participamos da reunião de condomínio, não vamos ao sindicato e não queremos nem saber, (COM MUITO ORGULHO!) de política. Isso tudo dá muito trabalho, pode não dar em nada e, não raro, a culpa é do outro: porque ele não sabe discutir, é inconveniente, porque ele rouba, é incorrigível etc. São muitas pequenas atitudes essenciais para a nossa vida em sociedade, para exercitarmos e aprimorarmos esta arte de viver bem em grupo. São muitas atitudes que vamos jogando, dia-a-dia, no mar negro de nossas hesitações. É mais confortável pagar a babá e só vermos os nossos filhos no fim-de-semana. É mais confortável passar uma procuração para alguém falar por você na Assembléia. É mais confortável não se meter em política e deixar que os parlamentares façam o que bem entenderem com as nossas vidas. É mais confortável... Esta é a escravidão branca. E graças a esta escravidão branca, existe e persiste a escravidão negra que, hoje, não mais escolhe cor de pele. Só mudaram os nomes:
“Capataz” virou qualquer um de nós que presencia dia-a-dia tantos absurdos e não conseguimos nos levantar da cadeira e reagir... Porque é mais confortável permanecer lá. Esperamos e confiamos que a morte nos abordará antes que a onda de catástrofes e absurdos invada nossa casa, pois, neste caso, será tarde demais... Tarde demais para agir... Tarde demais para esperar que alguém, sentado em sua cadeira, queira se levantar e tomar alguma atitude a nosso favor. Montagens: Todos sabemos que é crime utilizar texto autoral, pelo menos para fins lucrativos, sem a autorização formal do autor. Eu não pretendo cobrar pela utilização do texto no teatro, nem criar obstáculos para quem quiser colocá-lo no palco. Mas quero ser informado sobre as montagens que estão sendo feitas com ele, podendo inclusive divulgar neste site sem qualquer despesa para o produtor. De qualquer maneira, em todas as montagens que forem feitas, o seguinte roteiro deve ser seguido:
Além disso, a amontagem, como foi feita (para uma leitura, como parte de um projeto didático sem fins lucrativos), não pode ser colocada em palco, num espetáculo comercial, exatamente como está, sem a devida dos detentores de direitos autorais das músicas utilizadas
Impressão: Quem se interessar em publicar o texto deverá entrar em contato comigo (link no início desta página) e obter uma autorização formal, por escrito. Ficha Técnica da Primeira Montagem e Outras Informações Elenco: Deuclides Gouvêa, José Araújo e Miriam Moraes Sonoplastia(trechos de):
Vídeos: Parte 2: Parte 3: Parte 4: Parte 5: |
Última atualização (Sáb, 19 de Junho de 2010 19:33)
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